Seriam os sedevacantistas "não conclavistas" contrários a eleição de um Papa legítimo?

Amigos, salve Maria.

Infelizmente, o Frei Tiago adquiriu, ao longo dos últimos meses, a síndrome do “Siga-me ou morra”, tão combatida especialmente pelo Revmo. Padre Anthony Cekada e oriunda de uma formação teológica extremamente deficiente. 

Pois bem, em um vídeo recente onde o Frei entrevista Doutor Homero Johas, ambos cometem erros crassos que serão expostos abaixo. Os dois abordam o tema que envolve a eleição papal, atribuindo aos demais sedevacantistas o epíteto de "hereges" por supostamente serem contra um conclave papal que elegeria um Papa legítimo.

Ocorre que não somos contra nenhum conclave, somos favoráveis a ele, desde que realizado por quem de direito, a saber, bispos com jurisdição. Bispos sagrados em estado de necessidade, padres oriundos destes bispos e muito menos leigos podem realizar um conclave, e isso é lei divina, não eclesiástica. 

Lembramos que só publicamos estas palavras aqui porque ao publicá-las lá na caixa de comentários do vídeo o comentário foi excluído. Lembramos ainda que nós mesmos mostramos estes argumentos ao Doutor Homero Johas por anos, que jamais nos refutou. 

Assim, para compreender o texto abaixo, é de grande importância antes assistir ao vídeo que está aqui.


REFUTAÇÃO AO FREI TIAGO E AO DOUTOR HOMERO JOHAS

Seriam os sedevacantistas "não conclavistas" contrários a eleição de um Papa legítimo? Para responder esta indagação, destacamos que, em primeiro lugar, nenhum bispo ou católico que não adere ao assim chamado "conclavismo” é contra uma eleição papal. Ser contrário a escolha de um Papa significa ser contrário a perpetuação do Papado no mundo (o que em si seria uma sandice se fôssemos realmente contra). 

Somos sim, todos, a favor de um conclave. Porém, o que nós defendemos catolicamente é que somente bispos com jurisdição ordinária podem eleger um Papa legítimo (mesmo neste estado de necessidade em que nos encontramos). Esta é a lei da Igreja, e Lei Divina, não eclesiástica, da qual ninguém pode se desviar sem cair diretamente em cisma e heresia. 

Como vem demonstrando fartamente John Daly nas últimas duas décadas, diversos teólogos de grande renome ensinaram a respeito de quem recai o direito de eleger o Sumo Pontífice a partir do momento em que os cardeais não estão disponíveis para desempenhar o papel deles. Entre eles versaram sobre o tema Dom Gréa, Revmo. Padre Reilly, Lorenzo Spinelli e os cardeais Billot, Franzelin, Cajetano e, de maneira especial, com grande autoridade, São Roberto Bellarmino, Santo Doutor da Igreja, que assim se manifestou a respeito do tema:

“Se não houvesse nenhuma constituição pontifícia em vigor acerca da eleição do Soberano Pontífice, ou se por algum infortúnio todos os eleitores legalmente designados, i.e. todos os cardeais, perecessem juntos, o direito de eleição pertenceria aos bispos vizinhos e ao clero romano, mas com uma certa dependência de um concílio geral de bispos” (Bellarmino: De Clericis, Lib. X, cap. X)

O fundamento desta solução é que o Papa é Papa porque ele é o Bispo de Roma. Os cardeais são considerados o clero principal de Roma. Na ausência deles, o remanescente clero de Roma torna-se competente para eleger seu bispo, o qual, em virtude de ser o Bispo de Roma, será Papa. Além disso, inúmeros concílios proibiram o envolvimento leigo em eleições eclesiásticas (Laodiceia, Niceia, Constantinopla, etc.). Senão, vejamos:

“Por edito perpétuo Nós proibimos que a eleição dos Pontífices seja realizada pelo laicato, [edito] juntado aos Cânones; e se por qualquer ventura isso vier a ocorrer, a eleição será sem vigor, não obstante qualquer costume contrário, o qual deve antes ser chamado de corrupção” (Iur. Can. Cap. Honorii III).

E São Roberto Belarimino também ensina o que segue: 

“O direito de eleger o Soberano Pontífice e os outros pastores e ministros da Igreja não pertence por direito divino ao povo; qualquer poder desses que o povo já tenha tido foi inteiramente devido à aquiescência ou concessão dos Pontífices” (De Clericis, cap. VIII, prop. V).

Isso demonstra que o laicato não tem, em nenhuma circunstância, nenhum direito ou poder de participar em eleições eclesiásticas ou na seleção de pessoa alguma para ter um ofício na Igreja. Coitado do Doutor Homero, seus estudos não os conduziram aos melhores teólogos da Igreja, e nem aos concílios que versam sobre o tema, e que o condenam pela participação do conclave de Assis. Lembramos ainda que, além de Assis, dezenas de conclaves foram realizados nas últimas duas décadas, e que nenhum deles resultou em qualquer benefício para a Igreja. Quem foi mesmo que disse que pelos frutos reconheceríamos a árvore?

Assim, se os sedevacantistas pró-conclave como Doutor Homero e Frei Tiago representam a Igreja, onde estava a Igreja antes destes dois se tornarem conclavistas? Onde estava a Igreja no fim da década de 1960, quando ninguém no mundo defendia um conclave diante da existência de um falso papa, como o era Paulo VI?

Contrariamente, sabemos que nem o Papado ou o episcopado podem jamais deixar de existir; o episcopado existe ainda hoje, tal como Cristo o estabeleceu, e ele é formado por bispos com jurisdição ordinária, e não pelos bispos sagrados por estado de necessidade. Nenhum católico duvida que é enormemente desejável restaurar a autoridade na Igreja, mas a urgência não deve jamais nos levar ao cisma e a heresia. Neste sentido, Dom Próspero Guéranger ensinou algo que, atualmente, os melhores católicos se esqueceram:

“Muitos ignorarão na prática a verdade central de que a Igreja não pode nunca ser vencida por nenhum poder criado (...) se esquecerão de que Nosso Senhor não precisa de nenhuma manobra astuta para ajudá-Lo a cumprir Sua promessa” (O Ano Litúrgico, comentário à epístola do Vigésimo Domingo depois de Pentecostes).

A Igreja não falhará por negligência alguma de nossa parte. Termino com o ensinamento do grande Caetano, que escreveu palavras direcionadas aos conclavistas portadores da malfadada síndrome do “siga-me ou morra”:

“Deus, em Sua sabedoria, deve ter dado à Igreja como remédio [em crises muito graves]…não qualquer um desses meios meramente humanos que seriam suficientes...valor. Dizem os homens que… ninguém pode se contentar com o recurso somente à oração e à Providência Divina! Mas por que dizem isso, senão porque preferem meios humanos à eficácia da oração? Senão porque ‘o homem animal não percebe as coisas que são do Espírito de Deus’? (1 Cor. II,14) Senão porque acostumaram-se a confiar no homem, não no Senhor, e a pôr a sua esperança na carne?” (De Comparatione Auctoritatis Papae et Concilii, cap. XXVII, nn. 417-20, 22)

Isso não implica no juízo de que a iniciativa humana para pôr fim à crise seja necessariamente deslocada. Implica que a iniciativa humana para pôr fim à crise pode não ser a solução destinada pela Providência. Pode fracassar. A não ser que proceda com ordem, prudência e humildade, certamente fracassará.

Comentários

  1. Onde está o episcopado com jurisdição então? Sem jurisdição ordinária a Igreja deixa de ter a nota da Apostolicidade. Se ela a perde, logo, é uma falsa religião e os ortodoxos sempre estiveram certos. Esse texto aparenta fatos que demonstram que o sedevacantismo não é solução: https://medium.com/@Tolkien32/refuta%C3%A7%C3%A3o-do-sedevacantismo-5f78ab85d6e8

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  2. Salve Maria. Deixo John Daly responder a você:

    “(...) não acredito nessa noção de jurisdição episcopal suprida por Cristo a quem quer que tenha ordens episcopais válidas e professe a Fé Católica em tempo de crise. Nem acredito que os bispos tradicionais emergenciais tenham algum poder a mais do que eu de eleger um papa, ou seja, nenhum poder. Nem tampouco acredito que seja possível que todos os bispos católicos sobreviventes nomeados validamente deixem de existir, e esse ponto é considerado dogmático por todos os teólogos de que tenho conhecimento que advertem para esse fato. Onde, porém, existe um bispo católico sobrevivente designado devidamente eu não sei, nem exige a Fé Católica que eu o saiba. O profeta Elias acreditava que ele era o último adorador sobrevivente do verdadeiro Deus, mas Deus disse a ele: ‘Reservei-me sete mil homens que não dobraram o joelho a Baal’ (I Reis 19, 18). Uma vez que tenhamos inculcado em nossa cabeça que não temos de salvar a Igreja, mas de ser salvos pela Igreja, o mistério deixa de perturbar. A crise acabará, e Deus porá um fim nela, por meio de homens que serão ou designados regularmente pela Sua Igreja ou então farão milagres para dar testemunho de sua missão extraordinária. Os Papas algumas vezes deram a bispos o poder de transmitir não somente as ordens episcopais, mas também o mandato apostólico aos candidatos da escolha destes bispos em terras perseguidas, e isso pode ser parte da solução. Mas não sabemos de nenhum detalhe. Não sabemos que poderes foram dados a quem na China, embora pareça muitíssimo provável que alguns poderes extraordinários tenham sido concedidos a alguém para consagrações episcopais. Parece extremamente improvável que o poder especial não-especificado delegado ao Arcebispo Thuc pelo Papa Pio XI (e não XII) se referisse a consagrar bispos a qualquer momento e em qualquer lugar. Ele certamente jamais alegou isso. Mas alguém em algum lugar pode ainda possuir tais poderes derivados de um verdadeiro Papa. Estamos no meio de uma crise e um mistério e Deus não nos pediu que resolvêssemos o mistério. Ele nos pede que mantenhamos a Fé. Que Ele nos conceda a todos a graça para tanto”.

    Até aqui, o comentário sobre a jurisdição episcopal em nossos dias feito no ano de 2006 por John Daly. Note que não precisamos inventar nada, e nem se desviar da doutrina, pois Cristo irá operar no momento certo. Este mesmo Cristo nos ensinou que quando o Filho do Homem voltasse não haveria mais fé sobre a Terra. São Paulo falou do Mistério da Iniquidade, que é a perversão e a apostasia no final dos tempos. Papas, Santos Doutores e teólogos aprovados pela Igreja ensinaram que a apostasia consiste na abolição moral da missa em todo o planeta e no surgimento de uma nova religião, substituindo a verdadeira, e sendo mais universal do que a verdadeira, que estaria varrida para debaixo do tapete e escondida nas catacumbas.

    Esta é a teologia escatológica católica. Pasme você, até mesmo o catecismo de João Paulo II ensina esta doutrina. Enquanto os chamados “conclavistas” buscam resolver a questão atabalhoadamente, outros esperam no Senhor, sabendo que seguramente a questão será resolvida, “por meio de homens que serão ou designados regularmente pela Sua Igreja ou então farão milagres para dar testemunho de sua missão extraordinária”. Saiba, meu caro, que teólogos em séculos passados ensinaram que o próprio São Pedro poderia voltar para acabar com a crise no final dos tempos.

    No sábado santo, apenas onze apóstolos estavam no mundo, sem Cristo e sem um Papa para os guiar, sem os fieis saberem onde estava a hierarquia católica naquele momento, e ainda assim a Igreja não deixou de ser universal naquela situação.

    São Roberto Belarmino ensina que se um único bispo estiver vivo no mundo, as promessas de Cristo estão mantidas. Vamos aguardar mais um pouquinho, porque a solução deverá chegar agora ou nos próximos anos.

    Enfim, quem confia em Cristo não se aflige com esta questão, e nem tenta dirigir o veículo sem ter carteira de habilitação para isso.

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    Respostas
    1. "Onde, porém, existe um bispo católico sobrevivente designado devidamente eu não sei, nem exige a Fé Católica que eu o saiba."

      Na verdade é necessário, pois é uma nota da Igreja e ela deve ser visível para que os fiéis, mesmo os restantes no fim dos tempos, a reconheçam como a verdadeira Igreja. Mas quem está mantendo a fé do povo? Os bispos como Pio Espina, Pivarunas, Sanborn, etc, mas onde está o que restou, escondido? Onde vive? A Igreja nunca teve medo de mostrar as faces, logo, não faz sentido a existência de um bispo da época de Pio XII que negue tudo desde 1958 e que se mantenha escondido ou que tenha recebido uma jurisdição especial.

      "Os Papas algumas vezes deram a bispos o poder de transmitir não somente as ordens episcopais, mas também o mandato apostólico aos candidatos da escolha destes bispos em terras perseguidas, e isso pode ser parte da solução. Mas não sabemos de nenhum detalhe. Não sabemos que poderes foram dados a quem na China, embora pareça muitíssimo provável que alguns poderes extraordinários tenham sido concedidos a alguém para consagrações episcopais."

      Ficamos na pura especulação, no achismo, mas devemos ter uma fé unida a razão e não na especulação, por isso Nosso Senhor deixou uma Igreja visível e que permanecerá visível até mesmo no fim dos tempos, mesmo que extremamente reduzida como diz Zapalena, logo, nem mesmo o argumento escatológico resolve adequadamente, pois ainda faltariam a ação dos bispos jurisdicionais restantes no mundo, que deveriam agir como as duas testemunhas.

      "Mas alguém em algum lugar pode ainda possuir tais poderes derivados de um verdadeiro Papa."

      O último bispo nomeado por Pio XII faleceu em 2019, mas isso nem importa, pois ele era modernista, logo, sem jurisdição segundo a Bula do Papa Paulo IV. Ficar especulando a existência de um bispo católico com jurisdição ainda de Pio XII que faleceu a 65 anos é praticamente impossível, pois conhecemos todos os bispos vivos no mundo e mesmo os nomeados por Pio XII apostataram no Vaticano II.

      Me desculpe, mas a resposta não foi satisfatória, mas não quero me alongar aqui, mas estou considerando cada vez mais a Igreja Ortodoxa.

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  3. Salve Maria, amigo. Como meu comentário ficou muito longo, o dividirei em 04 partes, para que o blog o aceite.

    PRIMEIRA PARTE DO COMENTÁRIO

    Você escreve que a Igreja deve ser visível para que os fiéis, mesmo os restantes no fim dos tempos, a reconheçam como verdadeira, sendo esta uma nota da Igreja. Mas os bispos com jurisdição (que eu e você iremos concordar que existem neste mundo neste momento) são visíveis aos fiéis deles. Estejam onde estiverem, eles são visíveis. E isso basta, de acordo com São Roberto Belarmino, para que a visibilidade da Igreja seja da forma como Cristo a prometeu, pois (como já lhe disse) o Santo Doutor ensina que se restar um único Bispo no mundo a visibilidade universal se dá neste único bispo.

    Além disso, teólogos ensinam que uma falsa igreja com falsos padres e bispos podem dar a verdadeira visibilidade a Igreja. Ou seja, se os fiéis, vendo o magistério conciliar, acreditam que ali está verdadeiramente a Igreja de Cristo, isso pode bastar também para manter as promessas de Cristo (lembrando que neste caso haverá pelo menos um Bispo com jurisdição no mundo, mas o resumo da história é que a falsa igreja conciliar pode ajudar Cristo a cumprir suas promesas).

    E você também pergunta quem está mantendo a fé do povo, se isso se aplica a bispos como Pio Espina e Pivarunas. Uma coisa eu te garanto: quem NÃO está mantendo a fé do povo são os bispos da igreja conciliar, a começar por aquele que é conhecido como bispo de Roma atualmente, e que responde pela alcunha de Francisco. Seguramente, eu e você concordaremos que ele, os bispos e sacerdotes do mundo todo (moralmente falando) não estão mantendo a fé do povo.

    Também os bispos e padres tradicionalistas, que ensinam que um Papa verdadeiro pode promulgar uma missa protestante, não ajudam a manter a fé do povo, porque este ensinamento é herético ou, no mínimo, heretizante. Quem adere conscientemente a ele se perde, seguramente, e faz os outros se perderem.

    Mas sobre essa objeção bastante válida, outra coisa interessante também ensinada pelos teólogos (e que pode valer para este final de tempos) diz respeito ao “erro comum” dos fiéis. Assim, por erro comum, caso o sedevacantismo esteja realmente errado, concedendo que Francisco possa ser Papa legítimo e que os bispos que defendem o Vaticano II também sejam legítimos, ainda assim bispos e padres sedevacantistas podem recebem jurisdição diretamente dos céus para que os fiéis sejam absolvidos validamente, e para que comunguem validamente, etc...e isso se o sedevacantismo estiver errado, hein? Imagina, então, se ele estiver certo e realmente os papas conciliares não forem verdadeiros pontífices? Enfim, teologia não é fácil, meu caro, e o seu desespero e o de tantos se deve também a uma formação deficiente, não culpável, até mesmo porque nós somos leigos e sequer somos obrigados a conhecermos estas questões tão espinhosas.

    Inclusive, teve Santo Doutor que ensinou que um Papa verdadeiro pode surgir a partir de um falso conclave. Dá para acreditar nisso? Mas é isso que os nossos teólogos aprovados ensinam. Logo, esta também pode ser parte da solução do problema: se Francisco se converte e ele passa a ser reconhecido pelos verdadeiros católicos como Papa legítimo, ele realmente se torna Papa, ainda que eleito em um falto conclave. Não estou completamente seguro disso, mas pode ser a solução, Cristo é quem nos dirá com o tempo como teremos um Papa ensinando doutrina católica novamente, e não o progressismo e o protestantismo, como atualmente acontece.

    FIM DA PARTE 01

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  4. SEGUNDA PARTE DO COMENTÁRIO
    Você ainda realça que devemos manter a fé numa igreja visível, e não em "achismos". Mas você acha mesmo, aplicando seu próprio rigor metodológico aos sedevacantistas, que nós devemos enxergar em Francisco (e na igreja conciliar) a verdadeira Igreja Católica? Você acha mesmo, aplicando sua metralhadora que dispara forte e pesado contra nós, que esta prostituta dá a visibilidade que você tanto busca e almeja? Ora, uma das notas da Igreja verdadeira é justamente o transmitir a verdade, sempre, não errando, sempre condenando as heresias, sempre apartando de si os hereges, com firmeza e misericórdia pelas almas que ficam.

    Por exemplo, a sexta marca da Igreja, de acordo com Belarmino, é a concordância com a Igreja antiga no que se refere a doutrina - São Roberto Belarmino - Disputas Sobre a Fé Cristã, Volume 02, Sobre a Igreja (Capitulo IX, Página 411). Seguramente, a menos que você tenha abdicado da capacidade de raciocinar, você constatará, mesmo por meio das explicações oficiais dos papas conciliares sobre o Vaticano II, que a igreja conciliar não está em concordância com a Igreja antiga no que se refere a doutrina.

    Assim, esta nota SEGURAMENTE falta na igreja conciliar. Isso não é difícil de constatar. Mas a nota que você diz que falta no sedevacantismo é apenas aparente, ou seja, aparentemente esta nota está faltando, mas nós sabemos pela fé que ela está presente, de alguma forma. ainda que não possamos explicar plenamente esta questão. Aqui, basta ao fiel crer em Deus para resolver sua inquietação, mas esta inquietação não pode nos levar a defender hereges e cismáticos como Bergoglio e muito menos nos levar a nos unir a hereges e cismáticos como os ortodoxos, (que, inclusive, tem varias divergências doutrinárias entre eles).

    E você também escreve que o último bispo nomeado por Pio XII faleceu, e conclui que isso prova que não existem bispos no mundo. Daly também tratou desta objeção, dizendo que os papas algumas vezes deram a bispos o poder de transmitir também o mandato apostólico aos candidatos da escolha destes bispos, e que isso pode ser parte da solução. Afirma você, peremptoriamente, que Pio XII não deu estes poderes a bispo nenhum do mundo na década de 1950, principalmente nos países tomados pelo comunismo? Esta resposta seria bastante desejável de sua parte. Se você disser que tem 99% de certeza que isso não aconteceu, então você não pode argumentar que esta não possa ser a forma como Cristo solucionará o problema.

    Eu realmente não sei qual é a solução do problema, e o que você aponta é a maior objeção que se pode levantar contra o sedevacantismo. É uma objeção séria. Porém, não ser sedevacantista significa negar objetivamente a fé católica ensinada nos concílios de Trento e Vaticano I, é negar objetivamente as notas da Igreja Católica, que não é ecumênica e muito menos defensora da agenda LGBT, meu caro.

    Prezado, você acha mesmo que um tradicionalista que tem nestes papas conciliares e bispos "bibelôs de vitrine" estão em melhor condição do que nós que defendemos a fé EM TODOS OS PONTOS tal como foi ensinada de Pedro a Pio XII? Aderir ao clero conciliar é negar as notas da verdadeira Igreja, e aderir ao sedevacantismo é constatar que a doutrina católica pregada em todos os tempos a respeito de si mesma está se concretizando.

    FIM DA PARTE 02

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  5. TERCEIRA PARTE DO COMENTÁRIO

    Sim, senhor Anônimo, aderir ao clero conciliar significa admitir que as promessas de Cristo falharam. Senão, vejamos o que ensina o Papa São Leão IX, onde ele admoesta os cismáticos gregos Miguel Cerulario, León de Acrida e, por que não dizer, o senhor Anônimo que agora me dirige suas palavras:

    “A Santa Igreja, edificada sobre a rocha, que é Cristo, e sobre Pedro ou Cefas (...) jamais será vencida pelas portas do inferno, que são AS DISPUTAS DOS HEREGES que conduzem os vãos à ruína; assim a Verdade mesma prometeu pela qual é verdadeiro o que quer que seja verdade: ‘as portas do inferno não prevalecerão contra ela’ [Mt 16,18]. O mesmo Filho declara que Ele obteve o efeito da promessa do Pai através de orações dizendo ‘Simão, eis que Satanás etc.’ [Lc 22,31]. Portanto, haverá alguém tão louco a ponto de ousar considerar Sua oração de qualquer modo vã, onde aquele que quer é também aquele que pode? Pela Sé do chefe dos Apóstolos, nomeadamente, pela Igreja Romana, através do MESMO PEDRO e também seus sucessores, NÃO FORAM OS COMENTÁRIOS DE TODOS OS HEREGES REPROVADOS, REJEITADOS E VENCIDOS, e não foram fortalecidos os corações dos irmãos na FÉ DE PEDRO, QUE ATÉ AGORA NÃO HÁ FALHADO E QUE ATÉ O FIM NUNCA FALHARÁ?” - Carta In Terra Pax - Papa São Leão IX (onde ele admoesta os cismáticos gregos Miguel Cerulario e León de Acrida) - 02 de setembro de 1053 - Denzinger 351

    Ora, se para qualquer pessoa os papas conciliares são verdadeiros papas, tais pessoas devem acreditar que eles ensinam corretamente, pois é 'De Fide' que a fé deles nunca falhará. E sendo assim, se a pessoa lê o que ensina acima o Papa São Leão IX e aplica tal ensinamento, por exemplo, a Francisco, tal pessoa criou uma realidade paralela e fantasiosa, como o fazem os continuístas. E ainda vejamos o ensinamento a seguir:

    “O Magistério Ordinário é aquele que exercem os bispos ou seus delegados INSTRUINDO OS FIÉIS SOBRE AS VERDADES DA FÉ, pelo catecismo, pela pregação, pelo ensino da teologia, pela prática da religião e cerimônias de culto. Este modo de ensinar é o mais usado, e basta, ordinariamente, para preservar a fé de todo erro. A Igreja NÃO PODE EQUIVOCAR-SE EM SEU ENSINAMENTO CONSTANTE E UNIVERSAL; do contrário, Jesus Cristo não estaria com sua Igreja todos os dias até a consumação dos séculos, E AS PORTAS DO INFERNO PREVALECERIAM CONTRA ELA. Seria, pois, um erro pretender que não há que crer com fé católica senão naquilo que é solenemente definido. Se assim fosse, bem poucos artigos teriam sido impostos à fé dos primeiros cristãos” - Revmo. Padre A. Hillaire - La Religión Demonstrada (Buenos Aires, 1913, qq. 197-198)

    Prezado, você duvida que a pena de morte, agora abolida pela igreja conciliar, não é oriunda de um ensinamento constante e universal da Igreja? Ou mesmo a corredenção de Maria, negada peremptoriamente por Francisco, em detrimento desta tradição que remonta aos primórdios do cristianismo e que é, no mínimo, Magistério Ordinário da Igreja (para o qual também valem aquelas palavras ‘Quem vos ouve, a mim ouve” [como ensinou Pio XII])? Ou a crença no demônio, que o próprio padre da igreja conciliar Gabriel Amorth afirmou ser negada pela unanimidade moral dos bispos atuais?

    Desta forma, de que adianta afirmar, contra o sedevacantismo, a necessidade de existência de uma hierarquia católica com jurisdição ordinária se, ao mesmo tempo, nega-se a obedecer a esta mesma hierarquia, e a julga desviada e, ao julga-la desviada, vai-se contra as promessas de Cristo que afirmou que tal hierarquia jamais se desviaria? Ou até mesmo de que adianta afirmar que aquele veneno que vem desta hierarquia não é veneno, mas um bom alimento, fingindo-se de cego e negando aquilo que é evidente?

    FIM DA PARTE 03

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  6. QUARTA PARTE DO COMENTÁRIO
    Finalizando, o sedevacantismo é a constatação racional da doutrina católica a respeito de si mesma para o final dos tempos. A escatologia, você sabe, não é “profetada”, mas sim uma ciência teológica que interpreta as Sagradas Escrituras e, em especial, o livro de Apocalipse. Pois bem, vejamos como os gigantes de nossa Igreja se referem a esta doutrina a respeito do final dos tempos. Comecemos pelo Padre Sylvester Berry, que em 1927 ensinou o que segue sobre os dias que hoje vivemos:

    “As profecias do Apocalipse mostram que Satanás imitará a Igreja de Cristo para enganar a humanidade; ele montará uma igreja de Satã em oposição à Igreja de Cristo. O Anticristo assumirá o papel do Messias; O PROFETA DELA FARÁ O PAPEL DO PAPA, e haverá imitações dos Sacramentos da Igreja. Haverá também falsos prodígios em imitação dos milagres feitos na Igreja (...) não parece haver razão alguma pela qual uma Igreja falsa não possa tornar-se universal, e mesmo MAIS UNIVERSAL DO QUE A VERDADEIRA, ao menos por um tempo” - Rev. Pe. E. Sylvester Berry, D.D., The Church of Christ, An Apologetic and Dogmatic Treatise [A Igreja de Cristo, Tratado Apologético e Dogmático]. Herder, Saint Louis & Londres, 1927 & 1941, p. 119 e p. 155)

    Agora, o Missal de Dom Gaspar Lefebvre de 1938, que assim descreve a Paixão da Igreja vivida neste momento:

    "(...) Jesus termina sua vida com o sacrifício do Gólgota, logo seguido do triunfo de sua Ressurreição; e a Igreja, bem como sua divina Cabeça, se verá então VENCIDA e cravada na cruz, embora ela ganhará a vitória decisiva. 'O corpo de Cristo, que é a Igreja, assim como o corpo humano, foi jovem num tempo, embora no fim do mundo terá uma APARÊNCIA DE CADUCIDADE'” (Santo Agostinho)

    FIM DA PARTE 04

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  7. QUINTA PARTE DO COMENTÁRIO
    Você bem sabe que, em direito, quando algo caduca, é porque algo termina. Fim. Assim, nos ensina Santo Agostinho, no fim dos tempos a Igreja, aparentemente, acabará. E isso é mais uma prova que o sedevacantismo está correto, porque realmente, aparentemente, a Igreja acabou. E agora o Bispo Fulton Sheen, que assim se expressou em uma obra publicada no ano de 1948:

    “Estamos vivendo nos dias do Apocalipse – os últimos dias de nossa era... As duas grandes forças do Corpo Místico de Cristo e do Corpo Místico do Anticristo estão começando a traçar as linhas da batalha para uma disputa catastrófica.

    O Falso Profeta terá uma religião sem cruz. Uma religião sem um mundo por vir. Uma religião para destruir as religiões. Haverá uma IGREJA FALSIFICADA. A Igreja de Cristo será uma só, mas o Falso Profeta criará A OUTRA. A falsa igreja será mundana, ECUMÊNICA e global. Será uma federação dispersa de igrejas e religiões formando algum tipo de associação global, – o parlamento mundial de igrejas. Será esvaziado de todo conteúdo divino e será o corpo místico do Anticristo.

    O corpo místico na Terra hoje terá seu Judas Iscariotes e ele será o falso profeta. Satanás o recrutará ENTRE OS NOSSOS BISPOS. O Anticristo não será assim chamado; caso contrário, ele não teria seguidores. Ele não usará calças vermelhas, nem vomitará enxofre, nem carregará um tridente, nem exibirá uma cauda como Mefistófeles em Fausto. Essas máscaras ajudaram o Diabo a convencer os homens de que ele não existe. Quando nenhum homem o reconhecer, mais poder ele exercerá. Deus se definiu como 'Eu sou quem sou', e o Diabo como 'Eu sou quem não sou'.

    Em nenhum lugar das Sagradas Escrituras encontramos justificado aquele mito popular que retrata o Diabo como um bufão que está vestido de 'vermelho'; pelo contrário, ele é descrito como um anjo caído do céu, como 'o príncipe deste mundo', cujo negócio é dizer-nos que não existe outro mundo. Sua lógica é simples: se não há céu, não há inferno; se não há inferno, então não há pecado; se não há pecado, então não há juiz, e se não há juízo, então o mal é bom e o bem é o mal. Mas acima de todas essas descrições, Nosso Senhor nos diz que ele será muito semelhante a Si mesmo, e que ele irá enganar até mesmo os eleitos – e certamente nenhum diabo jamais visto em livros ilustrados poderia enganar até mesmo os eleitos. Como ele virá nesta nova era para conquistar seguidores de sua religião?

    A crença russa pré-comunista é que ele virá disfarçado como um grande humanista; ele falará em paz, prosperidade e abundância não como meio de nos conduzir a Deus, mas como fim em si mesmo (...) Na terceira tentação em que Satanás pediu a Cristo para adorá-lo e todos os reinos do mundo seriam d’Ele, se tornará a tentação de ter uma nova RELIGIÃO SEM CRUZ; uma liturgia sem um mundo por vir; uma religião para destruir uma religião; ou uma política que é uma religião – que dá a César até as coisas que são de Deus.

    No meio de todo seu aparente amor pela humanidade e de sua eloquente fala de liberdade e igualdade, ele terá um grande segredo que não dirá a ninguém: ele não acredita em Deus. Porque sua religião será FRATERNIDADE sem a paternidade de Deus, ele vai enganar até mesmo os eleitos. Ele vai erguer uma CONTRA-IGREJA que será um arremedo da Igreja, porque ele, o Diabo, é o arremedo de Deus. Ela terá todas as notas e CARACTERÍSTICAS DA IGREJA, mas totalmente esvaziada de seu conteúdo divino. Será um corpo místico do Anticristo que, em todos os aspectos externos, SE ASSEMELHARÁ AO CORPO MÍSTICO DE CRISTO - Fulton J. Sheen - Communism and the Conscience of the West - Bobbs-Merril Company, Indianapolis, 1948, pp. 22-25

    FIM DA PARTE 05

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  8. SEXTA E ÚLTIMA PARTE DO COMENTÁRIO

    Antes de acabar, concedo a você que o sedevacantismo tem prazo de validade. Até, pelo menos, 2035 ou 2040, tardando muito. Se até lá nada acontecer, estamos errados. Somos a família de Noé que resolveu entrar na Arca, e agora aguarda a chuva. Estes somos nós, aqui dentro, crendo que começará a chover, ainda que demore um pouco. Você, tradicionalistas e conservadores são aqueles que estão fora da Arca, zombando de nós, tendo-nos como loucos, enquanto se perdem em seus próprios desvarios.

    O tempo dirá quem tem razão. Se começar a chover, vocês se afogarão e morrerão, e morte eterna. Se não chover, nós, sedevacantistas, desceremos da Arca envergonhados, porque o que afirmamos era falso e não se cumpriu. Porém, ainda assim, creremos na misericórdia divina, tanto para nós como para quem se recusou a entrar na Arca, desde que a pessoa esteja de boa fé.

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  9. Na verdade, precisei dividir em seis partes, e não em quatro, como anunciado na primeira parte dos comentários.

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As mudanças litúrgicas do Papa Pio XII - pode um católico rejeitar as leis promulgadas por um Papa legítimo?

É verdade que os papas conciliares não obrigaram os fiéis a aceitarem o Vaticano II ou exerceram de modo “liberal” suas autoridades?

Os fiéis podem concluir que um suposto Papa herege não é Papa verdadeiro antes da declaração formal emitida pela Igreja?

Como o católico deve se comportar diante do atual cenário político?

Sedevacantismo no Brasil em fotos

Teria sido Dom Antônio de Castro Mayer sedevacantista?

Teria o sedevacantismo caducado?

É necessária uma declaração formal da Igreja para que um Papa herege caia de seu cargo?