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Os fiéis podem concluir que um suposto Papa herege não é Papa verdadeiro antes da declaração formal emitida pela Igreja?

São Roberto Belarmino afirma que o Papa herege ‘cessa por si de ser papa e cabeça, assim como por si cessa de ser cristão e membro do corpo da Igreja, razão pela qual a Igreja pode julgá-lo e puni-lo ’. Ora, os tradicionalistas objetam contra os sedevacantistas  que isso significa que o Santo Doutor entende que, antes deste julgamento formal, os fiéis não podem concluir que o Papa herege é um ‘não Papa’.  O argumento é velho e vem sendo repetido desde a década de 1980 pelo menos. Mas seria isso verdadeiro? Responderemos de maneira simples, analisando a forma como entenderam São Roberto Belarmino dois teólogos que dele discordaram. Citemos, primeiro, Bouix que, discordando da tese ‘belarminiana’, entendeu que ela ensinava que nenhuma obediência seria devida pelos fiéis ao Papa herege antes dele ser deposto oficialmente: "Portanto, a fortiori, a obediência não é devida a ele. Mas um Papa a quem a obediência não é devida, não é mais Papa , mas foi privado do Papado. Portanto, o ...

Sobre “julgar o Papa” - Jus Canonicum, t. II, cap. VII, De Summo Pontifice (1938) Rev. Pe. F. X. WERNZ, S.J. e Rev. Pe. P. VIDAL, S.J.

Surgiu agora a afirmação que o ensinamento defendido por São Roberto Belarmino a respeito da queda  ipso facto  de um clérigo manifestamente herege seria 'minoritária' entre os teólogos. Porém, é comum achar entre os teólogos renomados a afirmação de que tal ensinamento proposto pelo santo doutor ser o 'mais comum' entre os especialistas. Ou seja, o mais comum é encontrar os teólogos ensinando que a doutrina de Belarmino neste sentido é a mais comum 😃 Neste sentido, vejamos o que nos tem a dizer os Reverendíssimos padres F. X. Wernz e P. Vidal, que no sétimo capítulo da obra 'Jus Canonicum, t. II, De Summo Pontifice' assim se expressaram ao abordar o tema “julgar o Papa” (a obra foi escrita em 1938 e, neste sentido, também deve ser levado em consideração que o Código de Direito Canônico já havia sido publicado há mais de 20 anos, em 1917). Sobre “julgar o Papa” - Jus Canonicum, t. II, cap. VII, De Summo Pontifice (1938) Rev. Pe. F. X. WERNZ, S.J. e Rev. Pe. P. ...

O veredicto da Igreja é indispensável para que o fiel repudie alguém como liberal?

No Capítulo 37 da obra " O Liberalismo é Pecado " Dom Félix Sarda y Salvani trata se é realmente indispensável, em cada caso particular, recorrer ao veredicto concreto da Igreja para saber se uma pessoa pode ser repudiada e combatida como liberal. De acordo com ele, afirmar ser necessária uma declaração formal da Igreja para repudiar alguém como liberal é uma 'tolice', um certo 'jansenismo feroz e satânico', uma teoria 'nova' na Igreja de Cristo   criada pelos próprios liberais para beneficiá-los.  Vejamos o que ele tem a dizer neste sentido.  DOM FÉLIX SARDA Y SALVANI – O LIBERALISMO É PECADO - CAP. XXXVII Se é ou não indispensável em cada caso particular recorrer ao veredicto concreto da Igreja e de seus pastores para saber se um escrito ou pessoa devem repudiar-se e combater-se como liberais – Dom Félix Sarda y Salvani   Tudo o que acabais de expor, dirá alguém ao chegar a este ponto, encontra na prática uma dificuldade gravíssima. Tendes falado de ...

É possível saber o sentido correto do Cânone 188/4 do Código de Direito Canônico?

Amigos, salve Maria.  Vejamos um excelente argumento (a meu ver, irrefutável) a respeito da queda ipso facto de seu cargo de um clérigo que manifesta publicamente uma heresia.  Primeiro, é impostante destacar que o sentido do cânone 188/4 (que declara a queda ipso facto de um clérigo que apostata da fé católica) nunca foi objeto de interpretação oficial por parte da Santa Sé. Porém, o que pouca gente sabe é que ele tem alguns cânones equivalentes, sendo um deles o cânone 646, que concerne à vida religiosa. Tal cânone foi explicado oficialmente, o que ajuda a esclarecer também sobre o cânone 188.  Vejamos o cânone 646 em sua totalidade, para entendermos o contexto:  §1. Deve-se considerar como legitimamente demitidos ipso facto os religiosos: 1. Apóstatas públicos da fé católica ; 2. O religioso que foge com uma mulher ou o religioso que foge com um homem; 3. Aqueles que tentam contrair, ou casar, mesmo que seja apenas o chamado vínculo civil; §2. Nestes casos, bas...

No que se refere a questão envolvendo o tema "Papa herege", qual o debate que realmente importa?

Em tempos em que Roma está ocupada por “anticristos” (01) muito esforço tem sido feito por alguns tradicionalistas para provar que os papas conciliares são papas legítimos da Igreja Católica Apostólica Romana. Neste sentido uma das tentativas mais pueris que estamos presenciando neste momento é trazer a tona o antigo debate existente entre especialistas sobre a queda, ipso facto ou não, de um clérigo que se desvia do reto caminho.  O objetivo destas pessoas é demonstrar que o Papa herege não cai de seu cargo a partir do momento em que ele exterioriza publicamente uma heresia, mas tão somente quando uma declaração é feita posteriormente por quem de direito. Então, pretendem eles, se o Papa herege não cai de seu cargo ipso facto o ‘Papa’ Francisco, por mais herege que seja, continua Papa, e a posição sedevacantista não se sustenta.  Assim desejam eles. Porém, esta tarefa é inglória justamente porque o debate em si, ocorrido no passado, não se aplica ao momento atual da Igreja....

A Igreja particular de Roma pode errar na fé?

Um dos maiores mistérios da crise atual refere-se a Igreja Particular de Roma, e não simplesmente ao Papado. O ensinamento que colocamos abaixo foi feito por São Roberto Belarmino em sua famosa obra " De Controversiis ” e trata justamente sobre este tema tão espinhoso, e que coloca em xeque-mate o tradicionalismo e o conservadorismo, e que também parece colocar em xeque o sedevacantismo.  Ora, os tradicionalistas creem, 'simpliciter', que a Igreja Romana errou gravemente no Vaticano II e que ela vem errando de lá para cá em praticamente tudo o que propõe aos fiéis. Assim, por exemplo, Dom Marcel Lefebvre afirmou "rezar para que a Roma moderna, infestada de modernismo, torne a ser a Roma católica e reencontre a sua Tradição bimilenar” - Dom Marcel Lefebvre - Carta a João Paulo II - 02 de junho de 1988 Alguns tradicionalistas chegam a aventar que os papas conciliares, ainda que papas legítimos, abriram mão de exercer seus magistérios, criando assim uma nova sub-divisão ...

É verdade que os papas conciliares não obrigaram os fiéis a aceitarem o Vaticano II ou exerceram de modo “liberal” suas autoridades?

Nos últimos anos inúmeros católicos, para justificar a recusa ao Vaticano II, usaram como argumento o fato de suas declarações (digo, as feitas pelo Concílio) não serem dogmáticas e sim “pastorais”. Dizem também que os papas conciliares não os obrigam a aderir ao Vaticano II e que nenhuma censura ou condenação jamais recaiu sobre os fiéis que rejeitaram o Concílio.  Mais recentemente alguns foram além e passaram a afirmar também (adaptando a tese de Cassicíaco ao tradicionalismo), que estes mesmos papas conciliares exerciam e exercem seus magistérios de modo “liberal”, que este liberalismo afeta a vontade dos papas, papas estes que jamais tiveram verdadeira intenção de ensinar. Porém, a boa teologia ensina que se os papas conciliares realmente são verdadeiros papas os fiéis não podem lhes negar obediência. Para tratar da questão vamos colocar abaixo ensinamentos feitos pelos conciliares sobre a obrigatoriedade do Vaticano II, sobre como os papas conciliares encaram o magistério cat...